| — | Alugue Felicidade e Orquestrando. |
Descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Como se já não bastasse
Como se já não bastasse a minha dor de cabeça e
todas as minhas rugas, minha mãe fazia questão de me encher o saco, e de
ressaltar que ela avisou. Avisou que não seria como eu estava esperando
e que choveria ao invés de fazer sol. Tá mãe, você está certa. Como
sempre. E eu quebro a cara, de novo. Como sempre. Eu torno à minha cama
com o único intuito de esquecer de tudo, inclusive dele. Vou pra cama
esquecendo-o no meio do caminho, mas quando lembro que esqueci, já
lembro-o de novo. Droga! Essa dor de cabeça está me matando, e a falta
dele mata mais ainda. E pra completar todo o meu estresse, minha mãe
chama a minha tia linguaruda. Eu juro que se ela vier perguntar como
anda o namoro, eu vou dar um tapa na cara dela. Hoje não é o meu dia.
Quer dizer, nunca foi. E ela nunca teve tanta intimidade de falar assim
comigo. Meu namoro vai bem tia, não tenho novidades e espera só mais um
pouquinho, preciso tomar um remédio pra dor de cabeça. Ah, e eu não
volto. E ela grita lá do fundo, pedindo realmente um tapa na cara: “Eu
acho melhor você passar algum creme anti-rugas.”. Jura tia? É só o que
me faltava. Minha mãe e minha tia reunidas em um único objetivo: cagar
no que já está cagado. Ou seja, piorar a minha situação. Semana passada
eu podia jurar que já tinha passado essa minha mania de querê-lo, querer
e querer. Passa, por uma ou duas horas, passa enquanto to vendo aquele
filme chato, ou quando estou ouvindo minhas amigas falarem sobre a
transa maluca da segunda. Sou convidada para sair e me distrair, mas
ainda sim, minhas rugas não me deixam. Tal como ele. E pior que marcas
no corpo, são marcas no coração. E eles deixa os dois. Simples. Estudo
horas consecutivas e o meu único pensamento é nele. Que idiotice, não é?
Até parece que eu sou tão melosa e enjoativa assim. Eu só sou um clone
dele, que sofre atoa e que insiste em dançar sozinha. E sabe de uma
coisa? É ótimo dançar sozinha. E sabe de mais uma coisa? Seria melhor
ainda se eu pudesse dançar com ele. Não há porquê se despedir, se no
final ele sempre volta. Volta porque assim como eu, não esquece. Volta
porque ele pode até preferir um open bar ou uma festinha “suck my ass,
i’m free”, mas ainda sim, prefere estar comigo deitado debaixo de um
cobertor. Aproveite esse tempo que seu orgulho está no topo, e seja
livre. Eu já sou livre, e não preciso querer ser presa a alguém. E é o
fim constar que não há mais alternativas além dessa que você escolheu.
Boa sorte. Você escolheu, apenas não volte querendo uma segunda chance
ou pedindo desculpas. Quem faz 2, pode não fazer 3. Mas quem faz 10, com
certeza fará 11. Porque seria muito simples, você sair pra ver como é o
mundo lá fora, sabendo que pode voltar pra casa, e encontrar roupa
lavada, café na mesa, e uma mulher pra te dar o que quiseres. É simples
demais amar feito macaco, que pula de galho em galho. Quero ver aturar
tudo, esse conjunto que nós mulheres carregamos. É por isso que nós não
fomos feitas para homenzinhos, desses que se desculpam por tudo, e que
acabam tendo tudo para se desculpar no final. Desculpas são utilizadas
quando se pisa no pé de alguém, ou quando se esbarra. Quando você deixa
uma mulher com dor de cabeça por mais de uma semana, com rugas mais
visíveis que o visível e com uma saudade imensa, não há pedido de
desculpa ou perdão que resolva. Não precisava ser assim. Não precisava
existir um adeus. Não precisava existir um termo de “assina aqui e malas
despachadas em cada casa”. Era pra ser tudo, menos essa merda que você
fez a gente se tornar. Mas, deixa pra lá, não tem melhor jeito de dizer
adeus. Vai ver minha mãe fala para entregar a Deus pra descarregar um
pouco dessa bagagem exaustiva e dramática de mim. “Menina tu passa por 3
quilômetros de distância e a gente já sabe que você está de mal humor.”
Não é mal humor não mãe, é saudade. É que ele saí sem falar nada, e
volta falando tudo. E ele poderia vir e dizer logo que, adeus não é a
palavra correta pra nós. Dizer que é sexo sem compromisso, ou uma viagem
pra espairecer a mente, mas a-d-e-u-s não. Porque sei lá… acho que essa
é a única palavra que me desconserta todinha. E por mais que sinta
falta, não aceito migalhas. Ou transa ou saí de cima! Não gosto de gente
que fala que vai embora, mas que faz questão de voltar pra piorar tudo.
Isso é idiotice, coisa de moleque, coisa sua. Sua e de todos os homens
comuns que se igualam ao seu nível de querer voltar só quando convir.
TOC TOC, “Oi, estive passando por aqui, e está frio. Tem um abrigo pra
mim aí?” Não seu canalha, não tem lugar pra você aqui! Você ocupa espaço
demais, e você não vale tudo isso. Faz parte de uma brincadeira você
largar alguém no meio da noite, sem ao menos um bilhete escrito: “Fui
comprar o pão, volto ano que vem.”? Se faz parte da sua brincadeira,
parabéns, está efetuando-a muito bem. Odeio desmantelo, odeio desculpas,
principalmente quando isso envolve você. Até já imagino a cena: Você me
olha com esses seus olhos claros e sorri, como se não houvesse nada a
esclarecer. E eu viro as costas, preferindo mil vezes escutar a minha
tia chata, do que raciocinar e remoer as suas explicações fajutas. Tia,
voltei.”
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